sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Número de casos de dengue está relacionado à falta de saneamento adequado


A falta de abastecimento de água e de coleta de lixo está relacionada ao alto número de casos de dengue nas cidades. Dos 48 municípios com risco de surto da doença no verão, 62,5% têm menos da metade das casas com acesso a saneamento adequado. É o que mostra um levantamento feito pela Agência Brasil a partir da lista do Ministério da Saúde de cidades com risco de surto da doença e de dados sobre saneamento básico do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Uma casa tem saneamento adequado, segundo critérios do IBGE, quando dispõe de rede de água, esgoto ou fossa séptica e coleta de lixo direta ou indireta feita por uma empresa. De acordo com o levantamento, em somente 18 cidades com risco de surto, a maioria das casas encontra-se nessa situação. O restante dos municípios enquadra-se em saneamento semiadequado, quando dispõe de pelo menos um dos serviços, ou inadequado, quando não há nenhum dos serviços em pleno funcionamento.
Os municípios com os menores percentuais de saneamento adequado estão no Norte e Nordeste, as duas regiões com o maior grupo de cidades com chances de surto de dengue. Nas duas regiões, são 39 cidades. Em Buritis (RO), Espigão do Oeste (RO), Mucajaí (RR), Porto Acre (AC), São Raimundo Nonato (PI) e Água Branca (PI), menos de 5% das casas têm saneamento em condição adequada.
O Mapa da Dengue, do Ministério da Saúde, também mostra que a ausência de saneamento facilita o surgimento de criadouros do mosquito. No Norte, 44,4% dos focos de transmissão estão no lixo, no Nordeste, 72,1% são relacionados ao abastecimento de água.
Para o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa, o pior problema para o combate à dengue é o abastecimento irregular de água porque leva a população a usar caixas d’água, potes e barris. Mal tampados, esses pequenos reservatórios são ideais para o mosquito Aedes aegypti procriar devido à água parada, limpa e em pouca quantidade.
“Mesmo em muitas cidades com acesso [à rede de água], o fornecimento é intermitente”, disse o secretário. No lixo, o problema são as garrafas plásticas, tampinhas, pneus e outros recipientes onde a água da chuva se acumula com rapidez.
Apesar de admitir que o fornecimento irregular de água e a falta de recolhimento de lixo atrapalham as ações para enfrentamento da dengue, Barbosa defende que nos locais onde há ausência desses serviços é possível prevenir a doença com hábitos simples. As pessoas devem ser orientadas, por exemplo, a tampar as caixas d`água, tirar água dos pratinhos das plantas, limpar os ralos, recolher folhas das calhas e a manter o lixo fechado.
“Não podemos esperar que todos os problemas sejam resolvidos para combater a dengue. Há problemas que podem ser resolvidos mais facilmente”, justificou o secretário.
Nos municípios com risco de surto de dengue, as equipes de saúde encontraram larvas do mosquito em mais de 3,9% dos imóveis visitados, índice considerado preocupante pelo ministério. (Fonte: Carolina Pimentel/ Agência Brasil)

Chega a 114 o número de advertências emitidas contra moradores de São Leopoldo por desperdício de água

Uso racional da água está determinado em decreto desde 30 de novembro


Nível baixo do Rio do Sinos levou prefeituras a seguir com medidas para racionar água
Foto: Miro de Souza / Agencia RBS


A prefeitura de São Leopoldo já emitiu duas multas e 114 advertências contra moradores flagrados desperdiçando água. O decreto determinando o uso racional foi assinado no último dia 30 de novembro pelo prefeito Ary Vanazzi. A norma proíbe, entre outras coisas, a lavagem de veículos e calçadas e a irrigação de gramados e jardins.

Nesta terça-feira, a cidade ganhou dois novos reservatórios, construídos no bairro Morro do Espelho, o que deve beneficiar 24 mil moradores da região sul do município. O novo complexo amplia a capacidade de armazenamento de 650 para 2900 metros cúbicos de água tratada.

Apesar da boa notícia, a situação segue preocupante no Vale dos Sinos. São Leopoldo e Novo Hamburgo não têm previsão para o fim do sistema de racionamento no abastecimento de água.

Em Novo Hamburgo, o nível do Rio do Sinos diminuiu 13 centímetros em apenas 24 horas. Em São Leopoldo, medição realizada nesta terça-feira aponta que o Rio do Sinos está em 1,4 metro.
(Fonte: Zero Hora/RS)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Descobertas revelam um espaço borbulhante ao redor da Terra


As auroras são apenas a face mais visível de um rico conjunto de fenômenos que os cientistas estão descobrindo no espaço ao redor da Terra.[Imagem: Bud Kuenzli]

O espaço ao redor da Terra é tudo, menos um vácuo estéril. A área ao nosso redor possui um verdadeiro “borbulhar” de campos elétricos e magnéticos, que mudam o tempo todo.
Partículas carregadas também fluem constantemente, movimentando energias, criando correntes elétricas e produzindo as auroras.
Muitas destas partículas originam-se do vento solar, mas algumas áreas são dominadas por partículas de uma fonte mais local: a própria atmosfera da Terra, que é lenta, mas continuamente, “sugada” para o espaço.
Nanossatélites – Este novo mundo de partículas e correntes elétricas e magnéticas está sendo revelado pela missão FASTSAT, da NASA, uma plataforma para lançamentos de nanossatélites.
Neste estudo, que ainda não se encerrou, foram usados três experimentos que foram ao espaço a bordo do satélite científico: MINI-ME (Miniature Imager for Neutral Ionospheric Atoms and Magnetospheric Electrons), PISA (Plasma Impedance Spectrum Analyzer) e AMPERE (Active Magnetosphere and Planetary Electrodynamics Response Experiment)
Para cada evento bem definido, os cientistas comparam as observações dos diversos instrumentos.
Os eventos mostram um retrato detalhado desta região que agora se sabe ser muitodinâmica, com uma série de fenômenos inter-relacionados e simultâneos – como o fluxo de partículas e de corrente elétrica.
“Nós estamos vendo estruturas que são bastante consistentes em vários instrumentos”, diz Michael Collier no Centro Goddard, da NASA. “Nós colocamos todas essas observações em conjunto e elas estão nos contando uma história que é muito maior do que a soma das partes.”
Perda da atmosfera – Ao contrário do hidrogênio mais quente que vem do sol, a atmosfera superior da Terra geralmente supre íons de oxigênio mais frios, que são ejetados ao longo das linhas de campo magnético da Terra.
Esta “saída de íons” ocorre continuamente, mas é especialmente forte durante períodos em que há mais atividade solar, tais como erupções solares e ejeções de massa coronal, que são expelidas pelo Sol e se movem em direção à Terra.
Essa atividade suga íons de oxigênio da atmosfera superior da Terra, particularmente em regiões onde as auroras são mais fortes.
“Os íons pesados que fluem da Terra podem funcionar como um freio, ou um amortecedor, sobre a entrada de energia do vento solar,” explica Doug Rowland, coordenador do instrumento PISA.
“O fluxo também indica modos pelos quais os planetas podem perder suas atmosferas – algo que acontece devagar na Terra, mas mais rapidamente em planetas menores, com campos magnéticos mais fracos, como Marte,” diz Rowland.
No decorrer da pesquisa, os dados permitirão aos cientistas determinar de onde vêm os íons que saem da Terra, o que os move e como sua intensidade varia de acordo com a atividade solar. (Fonte: Site Inovação Tecnológica)

O FASTSAT, além de ter seus próprios instrumentos, é uma plataforma de lançamentos de nanossatélites, como a vela solar NanoSail. [Imagem: NASA]

Tartarugas marinhas são ameaçadas por vírus raro


Veterinário Leo Foyle, da Universidade James Cook, trata de tartaruga infectada pelo vírus que produz tumores
Um vírus que produz tumores está dizimando a população de tartarugas-verdes da Grande Barreira de Corais, situada ao norte da Austrália, onde a sobrevivência da espécie corre perigo pela falta de alimentos e pela deterioração ambiental do habitat.
Algumas tartarugas afetadas pela doença sobrevivem durante certo tempo quando os tumores são externos, mas os tumores causam também perda de visão, o que dificulta cada vez mais o animal a buscar alimentos e fugir dos predadores. Quando os tumores são interiores, eles obstruem os órgãos até provocando a morte do animal.
Uma vez contraído, o vírus pode ficar incubado durante anos, assim como a herpes labial nos seres humanos, mas qualquer circunstância estressante vivida pela tartaruga pode motivar sua manifestação, dizem especialistas.
As tartarugas-verdes (Chelonia mydas), animais que povoaram a Terra há mais de 100 milhões de anos, foram consideradas como espécies em perigo de extinção em seu habitat natural, os mares tropicais e subtropicais.
Capazes de viajar 2,6 mil quilômetros na época de migração, essas tartarugas habitam várias áreas do norte da Austrália, entre elas a Grande Barreira de Corais, uma das grandes reservas mundiais de fauna marinha.
Fatores como o desaparecimento de alimentos, a progressiva poluição da água, doenças, o desenvolvimento urbano no litoral australiano e o uso das redes por parte dos pescadores aumentam a ameaça da espécie.
Estresse ambiental – Há sete anos, os especialistas descobriram que o novo inimigo da tartaruga-verde é uma doença denominada “fibropapilomatose”, um herpes-vírus que produz tumores na superfície e muitas vezes no interior do animal, explica a pesquisadora Ellen Ariel, da Universidade James Cook (Austrália).
Por isso, segundo ela, os cientistas acreditam que a doença seja causada por “estresse ambiental”, e aparentemente muitas tartarugas doentes ficam em zonas específicas. A pesquisadora acrescenta que o desafio agora é determinar a origem da doença.
Neste ano, no nordeste australiano, houve grandes inundações e a passagem do ciclone “Yasi”, desastres que custaram muitas vidas de tartarugas-verdes, diz o diretor-executivo da representação australiana da ONG internacional WWF, Dermot O’Gorman.
Muitos leitos vegetais litorâneos, considerados uma importante fonte de alimentos das tartarugas-verdes, foram cobertos com sedimentos e poluição depois das inundações e da passagem do “Yasi”.
Nessas condições, as tartarugas doentes não têm a energia para buscar alimentos e morrem. “Muitas tartarugas sobreviveram, mas agora estão morrendo devido aos prolongados períodos de crise de fome”, conta Ellen.
Estudos recentes revelam que mais da metade das tartarugas-verdes que habitam a baía Brisk, no litoral da Grande Barreira de Corais, tinham fibropapilomatose, em um nível altíssimo se comparado com as que vivem em outras zonas, nas quais a incidência do vírus é de 5%.
O fato de o vírus ser quase endêmico na baía de Brisk levantou a hipótese de que o detonante da doença poderia ser o uso de pesticidas e outros poluentes industriais.
Segundo o WWF, tanto na baía Brisk como em outras partes do mundo, entre elas a Flórida (EUA), o vírus está mais presente em áreas próximas aos assentamentos humanos.
Comunidades aborígenes, autoridades, a Universidade James Cook e o WWF uniram forças na região da Grande Barreira de Corais para tentar salvar as tartarugas-verdes e realizar estudos, incluindo a etiquetagem que permite identificar os animais, para poder assim analisar a fundo suas doenças. (Fonte: Portal iG)

Recuperado, lobo-marinho será devolvido ao mar nesta segunda-feira

Após seis meses, filhote de lobo-marinho voltará
ao mar em Santos (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Um filhote de lobo-marinho que foi encontrado há seis meses em Peruíbe, no litoral sul do estado, deverá ser devolvido ao mar nesta segunda-feira (28). Desgastado e com uma infecção, ele passou por tratamento no Aquário de Santos. Provavelmente, ele se perdeu do grupo e foi arrastado até a praia.
Piá, como é chamado pelos tratadores, chegou com menos de 15 quilos e pesa agora 28 quilos. Segundo o veterinário Gustavo Dutra, ele está forte, saudável e pronto para procurar no mar a própria a comida.
O lobo-marinho vai ser solto a mais de 50 quilômetros da costa, depois da Laje de Santos. Ele terá uma identificação na nadadeira, que vai servir para monitorá-lo caso reapareça em alguma praia. A esperança dos veterinários é de que ele consiga seguir as correntes marítimas em direção ao sul do continente até chegar ao Uruguai, onde vive a espécie.
Além do lobo-marinho, quatro tartarugas que foram encontradas em redes de pesca ou debilitadas nas praias da região também se recuperaram e serão devolvidas ao mar na mesma viagem.
Gustavo Dutra explica ainda o que muitos visitantes do Aquário de Santos perguntaram nestes seis meses em que o animal estava em tratamento: por que o lobo-marinho não vai ocupar o tanque do Macaézinho, da mesma espécie que morreu este ano?
“ A gente segue uma determinação do centro de mamíferos aquáticos que manda que a gente solte esses animais. Esse animal é para soltura, para reabilitação” disse o veterinário. A tratadora de animais Maria Maura de Oliveira foi a responsável por dar comida, vitaminas e acompanhou o dia-a-dia e a recuperação do lobo-marinho nesses seis meses. Ela está feliz com a volta de Piá, mas não esconde o aperto no coração.
“É como se fosse filho, a mesma coisa, a preocupação de alimentação na hora certa, se precisar de medicação na hora certa, então a gente se apega muito. Segunda nem venho trabalhar só para não vê-lo indo embora”, disse. (Fonte: G1)

Ativistas anunciam que irão ocupar centro da COP-17

Um movimento de protesto contra a cúpula de mudança climática das Nações Unidas em Durban (COP17), batizado de “Occupy COP 17″, incentivou neste domingo (27) que manifestantes ocupem o centro de conferência onde será realizado o evento, que começa nesta segunda na África do Sul.
Os ativistas, que lançaram suas mensagens por meio do blog “occupycop17″ e do Twitter, preparam uma assembleia que será realizada nesta segunda-feira (28), no cruzamento de duas das principais ruas de Durban, a poucos metros do local escolhido para sediar a cúpula. A intenção é permanecer no local até o fim da COP17, no dia 9 de dezembro.
“Os governos do mundo se reúnem pela décima sétima vez em assembleia para estudar como reagir à mudança climática. Durante todo este tempo, não conseguiram encontrar uma resposta a esta situação insustentável”, diz o texto do movimento na internet.
O governo da África do Sul destacou mais de dois mil policiais para garantir a segurança da conferência, que deverá atrair 50 mil ativistas.
“Não esperamos distúrbios. Mantivemos contatos com as organizações para coordenar as mobilizações”, assegurou à Efe Eugene Msomi, porta-voz da polícia de Durban.
A COP 17 enfrenta um dos momentos mais difíceis na luta contra a mudança climática, Num panorama marcado pela crise econômica, a necessidade de frear o aumento da temperatura do planeta e o fim do Protocolo de Kyoto, único acordo previsto para reduzir as emissões de gases poluentes, que vence em 2012. (Fonte: Portal iG)

Conferência do Clima na África do Sul busca evitar retrocesso

Nesta segunda-feira (28) começa em Durban, na África do Sul, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 17), que mais uma vez busca avançar rumo a um acordo global de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.
Esta edição, no entanto, mais do que para buscar um avanço nas negociações, é importante para evitar um retrocesso: o Protocolo de Kyoto, único acordo existente segundo o qual a maioria dos países desenvolvidos (os Estados Unidos, segundo maior emissor, não participam porque não ratificaram internamente o acordo) têm metas de redução das emissões, expira em 2012 e, se não for estendido, não haverá nada em seu lugar.
Atualmente, o maior emissor de gases-estufa do mundo é a China, mas ela resiste em se comprometer com metas de corte enquanto os EUA não o fizerem. Rússia, Japão e Canadá, por sua vez, alegam não ver sentido em assumir novo compromisso enquanto os maiores poluidores não o fazem.
A União Europeia representa o maior bloco de países ricos dispostos a negociar algum compromisso. A conferência de Durban, no entanto, acontece num momento conturbado, em que a salvação da economia parece mais urgente que a do clima.
A crise econômica também deve prejudicar outra grande meta da COP 17, que é normatizar o funcionamento do “fundo verde”, um mecanismo de financiamento de ações de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas nos países pobres. A ideia é que haja US$ 100 bilhões ao ano disponíveis até 2020, mas não se sabe até agora exatamente quem vai colocar a mão no bolso para levar a proposta adiante.
O Brasil aposta suas fichas numa renovação do Protocolo de Kyoto. O negociador brasileiro embaixador André Corrêa do Lago alerta que “há praticamente um consenso de que nunca mais vai se conseguir um acordo total”. Daí a importância de não se deixar morrer este. Corrêa do Lago ressalta que desde a assinatura do protocolo, em 1997, havia a determinação de que o primeiro período de compromisso seria revisto entre 2008 e 2012.
“Nenhum país quer sair de Kyoto pra fazer mais do que faria em Kyoto. Todo mundo quer fazer menos”, comentou o diplomata brasileiro na última semana, em Brasília.

Delegados aplaudem "Acordos de Cancún" aprovados na COP 16. Propostas aprovadas no México serão base para as discussões em Durban. (Foto: Dennis Barbosa/G1)
Os países emergentes, como o Brasil, defendem que as nações ricas, que emitiram mais gases-estufa durante décadas, devem assumir metas mais rígidas, e usam a pobreza que parte de suas populações enfrentam como argumento de que devem ter maior margem de emissões, para poderem se desenvolver. É o que nas negociações reiteradamente chamam de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”. (Fonte: Dennis Barbosa/ Globo Natureza)